quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Do que o pequeno príncipe não falou...

  Não falou, mas está lá (de maneira indireta, mas está.)

  Quem não é candidata a Miss, não pretende e nem sabe o que é uma "Miss", também tem que ler, assistir ou ouvir, esta obra aparentemente infantil, permeada de assuntos de gente muito crescida (ou que pelo menos, pretende ser crescida). Saint-Exupèry, sob a perspectiva de uma criança (o pequeno príncipe) fala sobre o homem e alguns de seus valores (muitos já esquecidos): generosidade, solidariedade e responsabilidade. E aborda da maneira mais simples, já que é uma fábula e ao mesmo tempo mais profunda, já que o assunto requisita, sobre o "poder" e a "responsabilidade" de uma conquista. Na estória o pequeno aprende com "uma" raposa (que mais tarde se transformará em "a" Raposa. Quem leu entende o porquê.) sobre o verbo "cativar". A Raposa se recusa a brincar com o pequeno príncipe, enquanto ele não a "cativar". E explica, já que o pequeno viajante não conhece a palavra nem o seu significado, que a ação de cativar significa "criar laços". No trecho mais lindo do livro (para a candidata a Miss aqui!) ele explica que como ambos são desconhecidos um não significa nada para o outro, mas quando cativados, ambos necessitarão um do outro e daí se estabelecerão os tais laços. Terão a expectativa do encontro e a rotina de cada um será iluminada por esta espera. Mais tarde, ambos serão "eternamente responsáveis por aquilo que cativarem" (quem não conhece a frase?). O trecho é lindo, lindo...

  Mas o que o livro não aborda, pelo menos não literalmente, é sobre o processo contrário o "descativar" (não existe no livro, nem no Aurélio), mas na vida existe. E, é tudo aquilo que fazemos para nos "livrarmos" da responsabilidade de uma relação, seja ela amorosa, profissional ou fraternal. Nós nos tornamos indispostos e pouco entusiasmados para mantermos os laços. Então, também de maneira sutil (ou não) encontramos formas de "descativarmos" o que duramente conquistamos.  (De maneira consciente ou não) nos afastamos e o nosso dia deixa de ser iluminado pela expectativa, além de também frustrarmos a espera alheia. Porque bom e fácil é "criar laços", mas "manter" é coisa para poucos, muitos poucos. Talvez, coisa só para Raposas e pequenos príncipes...vai saber...



2 comentários:

Carla Machado disse...

Você sabia que 100% das mulheres do mundo é muito mais que 100% dos homens?!?!? Já dizia grande e abusada filósofa e matemática Julia Tonon Machado.

Amanda M. disse...

A genética se sobressai mais uma vez: a menina é tão boa com números quanto nós!