sexta-feira, 9 de março de 2012

Agora eu já sei: não é pelo corte de cabelo

  Tenho percebido ultimamente um "fenômeno" incomum (quer dizer, na verdade é mais comum do que parece). Quem me conhece há algum tempo, se, por algum motivo, demora cerca de seis meses a me ver se espanta ao se deparar com os meus cabelos quase no mesmíssimo corte do semestre anterior...(talvez um pouco mais longos ou recém aparados, mas nunca muito diferente). Na verdade eu costumava, isso desde a infância, mudar constantemente e, sempre que possível, radicalmente, o corte;  depois da adolescência também variar a cor. E acho que não era por uma insatisfação contínua, era mesmo algo da minha personalidade, era experimentação. Se eu pressentia alguma mudança, se alguma revolução interior, ainda que sutil, ocorresse ou eu desejasse que acontecesse, eu a manifestava externamente. Nos cabelos. 

  E por se "acostumarem" a mim e por se habituarem a essa minha "manifestação exteriorizada" as pessoas com as quais convivo também se "apegam" ao que acham que sou e por isso passam a ter uma expectativa do que achavam ser constante, invariável. Ao encontrar alguém na rua que me perguntava o porquê da falta de "novidades" na minha aparência eu tinha uma só resposta e era bem melancólica: - Só não estou com vontade...

  Mas, confesso que eu também, no início, fiquei "incomodada" com a estranha mudança (ou a não-mudança). Se antes, ao sentar na cadeira do cabeleireiro é que eu escolhia o que "ia ser", passei a "gastar" mais tempo; antes mesmo de marcar hora no salão, já planejava um corte e logo desistia...parei de lutar. Resolvi manter (corte, cor e cara), ainda que essa decisão tenha me parecido muito "suspeita". A falta de vontade de "mudar" começou a me parecer "patológica"; pensei até em depressão. Porque sei que um dos sintomas deste mal é um certo desapego a aparência. Além dos cabelos, passei a ser mais "econômica" com as bijuterias e os acessórios em geral, saltos também já não me apetecem tanto (não para o cotidiano. Mas desde que tive o problema nos joelhos tinha decidido ser mais generosa com as minhas articulações). Mas o "auto-diagnóstico" falha no que diz respeito a todos os outros aspectos; não estou "desapegada da aparência", só mudei meu gosto e as minhas prioridades, também não estou triste, desestimulada e a minha anti-sociabilidade é coisa muito antiga, acho até que é congênita. Então, não encontrando justificativa para o "fato" nem mesmo na medicina, tinha desistido de buscar qualquer explicação; até ontem.

  Enquanto L. folheava uma revista de ioga que eu havia trazido comigo, ela comentou com C., que eu havia "escolhido" uma prática que não me favorecia. Isto porque ela notou na revista que as praticantes de ioga são muito "naturalistas", observação e preocupação dela que me fez rir muito. (Na verdade, acho que ela associou a aparência "natural" à certa falta de vaidade, desleixo mesmo). Quando disse que não me importava, porque via muita beleza nisto, ela me disse que a "despreocupação com a  estética" fazia o sujeito ser mais triste. Porque conforme se arruma o indivíduo fica mais disposto, mais contente. Não seria o contrário? Eu acho.

  Mas depois do pequeno embate, compreendi o que está acontecendo comigo. O que acontece é que tenho mudado (e acho que muito) e da maneira mais profunda e definitiva possível, o que está mudando agora fica "dentro".  Portanto, não há mesmo motivo para nenhuma preocupação. Não é patológico. É só mesmo a vida "aqui de dentro" sinalizando seu movimento. E  para o próximo que se surpreender com o meu novo (já velho) visual eu só tenho a resposta: - Agora eu estou florescendo para dentro.  Só isso...


4 comentários:

Anônimo disse...

lindo texto. engracado que vc, supostamente timida, nao deixa de se mostrar aqui. e digamos, para quem quiser. acho lindo isso em vc. pq o cliche (sei q vc odeia cliches), vc é linda por dentro e por fora vale para vc. com qualquer cabelo e com o qualquer desabrochar que está por vir. Ass >> sou impaciente, adoro piadas, leio seu blog eventualmente. confesso que algumas partes tenho de reler para entender, amo samba, amigos e cerveja, tenho a ver com o petroleo e com um certo Mar com luz...

Amanda M. disse...

Que lindo!Sou a "falsa tímida", por isso essa "exposição"...Que bom que não se "dá por vencida", quando não entende algo, quando eu escrevo é tudo "tão claro", mas o segundo entre o "escrever (no pensamento) e o digitar", às vezes, faz as coisas ficarem um pouco confusas.

Desvendando o enigma: Anônimo, você por acaso é algum filho do Mussum não reconhecido, que trabalha na Petrobrás? Estou no caminho certo?rs

Anônimo disse...

nao trab na BR..ainda! rs..filha do mumu com um pouco mais de leite...rs. sim, leio, releio..as vezes continuo sem entender..mas bola pra frente..nao da para se saber tudo né? rs rs...deixo para te perguntar pessoalmente (mas minha fraca memoria..- outra dica)...

Amanda M. disse...

Sabia que tinha parentesco com o Mumu. Erro nunca!rs