sexta-feira, 13 de abril de 2012

Das sutilezas do amor

  O amor por mais constante e declarado que seja, não é coisa de se sentí-lo a todo momento (sabe-se amada, mas não se vê este amor a toda hora). Mas, pequenas sutilezas da vida, às vezes, nos colocam "frente a frente" com o tal amor.

  Senti-me amada, pela primeira vez, quando minha família se preparava para mudar da casa em que nasci e a vizinha da casa de baixo, que eu achava que era minha avó, se despediu de mim com lágrimas nos olhos; tinha 4 anos e vi que o amor também era despedida.
  Senti-me amada quando minha professora da 2ª série, dispensou um aluno de cada vez da sala de aula e me deixou por último, "para passar mais tempo comigo" disse ela; quando ia pela última vez naquela escola (era minha despedida e eu não sabia); vi que o amor chegava quando menos se esperava e vinha de quem a gente também não contava.
  Senti-me amada quando fui recebida na outra escola pela diretora, que me levou pelas mãos até a minha nova sala e a professora me recebeu na porta; vi que o amor era capaz de recuperar a proteção perdida.
  Senti-me amada quando a professora da 4ª série me pediu para buscar giz na secretaria e quando eu voltei com o giz, a sala inteira cantou "Parabéns" pelo meu aniversário e no quadro havia uma linda homenagem ao "meu" dia; vi que o amor surpreendia, desconcertava, mas era bom.
  Senti-me amada quando minha fisioterapeuta confidenciou-me que sua filhinha me colocava nas suas orações noturnas; entendi que o amor não necessitava de nenhum grande gesto de conquista, ser "só" natural também tinha o seu valor.
  Senti-me amada quando envergonhada por uma reprovação no colégio, meu pai sempre tão rígido, me consolou: - Ano que vem tem mais; e eu percebi que o amor exigia, mas era compreensivo.
  Senti-me amada a cada livro que minha mãe me presenteva, antes mesmo de eu ser alfabetizada ("Peixinho dourado vai passear"...); entendi que o amor "depositava esperanças" e estimulava o meu crescimento.
  Senti-me amada quando minha irmã e primo enviaram para mim a primeira carta, depois que mudaram de cidade; senti que o amor despertava saudade, mas reforçava os laços, mesmo à distância.
  Senti-me amada quando meu padrinho me convidou para ser madrinha de seu único filho; senti que o melhor presente que o amor podia dar era a confiança.

  Amor está aí por todos os lados a qualquer hora, basta reconhecê-lo nos gestos mais frugais, nas pequenas surpresas diárias que a vida oferece; o melhor a fazer é entregar-se a ele tímida, surpreendida, mas muito feliz. Sentir-se amada é aceitar o sentimento alheio, sem pudores; é reconhecer-se merecedora do afeto e, finalmente, sentir-se grata (uma vida inteira), pela sensação insubstituível e inesquecível de ser especial para alguém.


3 comentários:

nonoanomundial disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leila Rodrigues disse...

Olá Amanda conheci seu blog hoje e simplesmente adorei seus textos (li dois esse maravilhoso sobre o amor e da elefanta bailarina). Parabéns!!!!! Adorei seus textos!

Amanda M. disse...

Que bom que gostou, Leila. Fique sempre à vontade, sinta-se em casa!
Muitíssimo obrigada!