quinta-feira, 19 de abril de 2012

Se é para fazer crescer...então vale a pena!

  Dizem por aí, entre tantas outras máximas, que os opostos se atraem. Lenda ou constatação? Na física, a teoria tem comprovação, mas e na vida?
  Na minha, posso dizer que com relação aos relacionamentos, especialmente amizade, o padrão "opostos que se atraem" tem se repetido. Em todas as fases da vida, desde bem pequena, no meu (às vezes restrito, outras mais ampliado) grupo de amigos, sempre houve a presença daquele que, pelo menos aparentemente, radicalmente diferente de mim, se tornava em pouco tempo, uma das pessoas mais próximas e queridas nas minhas relações.

  Minha "primeira grande amiga" foi uma prima (entre quase uma dezena que tenho) com quem dividiria minhas melhores aventuras de infância. Minha prima E. tinha uma personalidade antagônica a minha: carismática, extrovertida, corajosa, sempre chamava a atenção e a (ir)responsabilidade para si. Fomos, durante toda infância, inseparáveis. Enquanto ela agia, eu pensava; enquanto ela cultivava problemas, eu tentava encontrar soluções; ela brigava, eu apartava, ela incendiava e eu apagava. Havia em nossa relação total equilíbrio, já que nossas "diferenças", naquele momento, eram muito complementares. Um dia ela se mudou com a família para outro estado e perdemos o contato diário, mas suspeito, que até hoje além do afeto, ainda exista, no mínimo, um traço de intimidade. Hoje, nossas vidas, correspondem às diferenças de personalidades da infância, são completamente distintas, mas com uma admiração (que acredito) mútua.

  Depois de E., já na adolescência, conheci A., a garota mais popular (não como aquelas meninas mimadas dos filmes americanos. Popular no melhor sentido: engraçada, com muitos amigos, bem relacionada) do colégio . Durante anos formamos uma dupla "pouco provável" e inseparável. Até que...A. mudou de escola depois da sua 2ª reprovação consecutiva e eu permaneci na mesma escola, depois da minha 1ª reprovação; nesta época, sua "experiência" em reprovações escolares, seria fundamental para que ela me consolasse.  Só nos reencontramos muitos anos depois, com vidas também muito diferentes, mas com a mesma sensação de proximidade que tenho com E.. 

  Na faculdade, já mais "madura", pensava que enfim entraria no "paraíso dos lúcidos", encontraria meus iguais e certamente teria relações menos opostas. Grande engano. A Universidade, foi na verdade, um dos lugares com maior oferta de "tipos" e personalidades que eu tive contato. E lá, também encontraria uma amizade cuja personalidade era diametralmente oposta a minha. A amiga em questão, foi uma das mais marcantes na Universidade e certamente, na minha vida. B. era praia, sol, diversão, voz e música alta, muito perfume, muitos acessórios, muito brilho, muita cor, muitas confusões, muito tudo! B. era muito e eu era o comedimento. Mas, ainda sim, fomos muito próximas, compartilhamos experiências, aprendizado e, o melhor, outras grandes amizades (nisto não era comedida. Cultivei amizades grandiosas neste tempo). Um dia, como bem requisita a vida (outra constante na minha história), B. se despediu rumo a outros espaços geográficos e inevitavelmente nos afastamos. Eventualmente nos víamos e podíamos, de alguma forma, recuperar as histórias não compartilhadas. Até que...

  Até que a teoria "os opostos se atraem" revelou sua primeira dificuldade. É claro, que esta e as outras amizades com pessoas de personalidades opostas, vez ou outra trazia alguma complicação, mas logo, tais dificuldades se revelavam serem muito inferiores ao sentimento, ao laço, à amizade estabelecida. Mas, em um determinado momento, de crise, de sensibilidade, de amadurecimento ou mudança. A característica que me atraiu um dia, passou a me afastar. Julguei que B. deveria estabelecer comigo e com os outros, com quem nós nos relacionávamos, a mesmíssima relação que eu estabelecia com ela e com os outros.

  Que grande ironia: eu que aspirava e defendia a liberdade, passei a requisitar de minha amiga um comportamento que não era de sua natureza. Por algum motivo, por um determinado momento, eu esperei que B. assumisse uma posição que era minha. E, que certamente não era inerente a sua personalidade. É claro que isto não resultou em uma história feliz. B. não podia ser eu, eu não aceitei B. em sua completude. Esperei dela algo que ela não podia dar e rejeitei o que ela poderia, quem sabe, oferecer. E magoada me afastei, decepcionada repeli nossa amizade e também a magoei. Que dramática, que boba, que sensibilidade patética...

  E, embora uma grande confusão tenha se instalado, o afeto, a maturidade e o tempo trazem o apaziguamento, a compreensão e a humildade. E a gente aprende, com certa dor, que sempre é tempo de rever posicionamentos, admitir os próprios erros e libertar o outro, e você mesmo, da pesada carga da expectativa.

  B. não está na cidade, no estado, mas ficará para sempre muito próxima, aqui dentro. Minha amizade com B. deixou-me a dura lição, de que os opostos se atraem sim, mas também se repelem e, na vida, quem escolhe qual das duas se sobressairá somos nós. Acredito que B. saiba bem qual das duas máximas eu escolhi...



Parceria pode ser assim: Incomum, mas "afinada"...
        "Malandragem carioca" com Clube da esquina.


Um comentário:

Isabel Gomes disse...

Estava lendo seu blog...aleatoriamente de propósito...rs. escolhi o meu mês e acho ate´que havia lido este texto na época, mas nao havia comentado aqui. talvez só com vc. Bem notei que parece que seu jeito de escrever mudou...sem deixar de estar bom nunca! Obrigada pelo texto. Ainda bem que você escolheu a tal máxima! rs. Senão, te faria escolher à força! rs rs. Ass.: B.