quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Admita moça...

  Você perdeu!Não adianta essa pose de durona, essas ideias de liberdade, independência, auto-suficiência (?). De que lhe servem as sobrancelhas arqueadas, levantadas e imobilizadas com o rímel transparente? E as roupas sempre pretas, cinzas, brancas; brancas, cinzas, pretas; pretas, pretas e pretas? De que adianta, se a dureza do discurso é sempre desmentida pelo andar macio, quando esquece da personagem que você mesma criou e insiste em carregar vida afora; pelo olhos que se viram para outras verdades; pelo colorido dos lábios ora escarlates, ora rosados? Não é você, moça! 

  Para que a sisudez na postura cotidiana, se por dentro é branca, colorida e ri-se de tudo e de todos? Não é fácil, moça, compreendo. Entendo bem que o mundo e as pessoas deste mundo requisitem coerência. Mas para que, moça. Para quê? Entenda que não é você. Você percebe que a personagem nunca dura, não percebe? Moça, eu reconheço sua ingenuidade, mas de tolice tens tão pouco ou quase nada. Então, de uma vez por todas, não minta. Porque quando está sozinha, você se percebe, se descobre e dói, não dói? Pois, não precisa doer...é só deixar ser.

  E se depois de Kafka, Thomas Mann e dos russos, o que sempre fica em você, moça, é Florbela, Jane Austen, as Brönt. Não se gabe desse seu aparente "dom de iludir", ele nem fica bem em você. Porque depois, moça, depois de cada trama elaborada cuidadosamente, você se arrepende, volta atrás ou, pelo menos, se culpa, se condena.Você até vinga-se deles todos, faz com que se sintam como fizeram você se sentir e para quê, mesmo? Para mais tarde sentir-se duplamente ferida, magoada em dobro: pela dor sentida e pela causada. Moça, você não entende que isto não é para você?

  E se é tão forte, fria e pragmática, como até gosta de ostentar, por que orar todas as noites, por que recorrer a teu anjinho? E as pessoas, moça, por que ainda acreditar nelas, ter fé nos sonhos delas, esperar por elas? Amar os bichanos, os oceanos, os mares de morro e morrer por Minas, para quê? Moça, eu sei o seu segredo, muitos tantos também sabem, então só seja isso o que é.

  Boa moça era o que não queria ser, mas que escolha tinha ela, se sempre que alguém se aprofundava mais um pouquinho, surpreendido, descobria? Era do que era feita, era o que podia e sabia ser. Não adiantava capa nenhuma, porque logo ali, na segunda ou terceira página, ela aparecia sorridente. Boa moça, moça, me perdoe a sinceridade, mas é bem isto que você é!





2 comentários:

Anônimo disse...

Eu, por exemplo, fico pagando de Parangolé, mas tó mais é pra Nina Simone...rs Bel-ezura

Amanda M. disse...

Paga de Parangolé e é Parangolé! Falta de côro Bel-once!