domingo, 3 de março de 2013

Após um passo...

  Seja um continente ou um oceano, quem sabe, pode ser apenas um corredor ou somente atravessar a porta, nunca se sabe o quanto estamos próximos ou distantes do nosso destino. Uma viagem longa, pode ser rápida, um caminho curto pode ser feito a passos tão lentos que custará muito o seu término. Não sei onde estou agora, ainda no início, no meio ou próxima da linha de chegada? Não sei, ninguém sabe. De longe parecia perto, fácil, tranquila a jornada? Mas, ao passo que se começa, as distâncias vão tomando corpo, os medos proporções impensadas. Quando é que pensou que você mesma seria um obstáculo para si? Antes da saída quase ninguém cogita a possibilidade de dar um passo e voltar dois, de achar que era ali e não ser, errar o caminho, ter informação errada, torcer um pé, ter uma gripe, assistir a uma tragédia ou mesmo um milagre, durante a trajetória. E, faltar água, combustível, companhia, ar. Mas falta, acontece que sempre podem faltar. Até você a si. E, então, só por isso não vai viajar?

  Agora a mala. A pequena viagem que pode sim ser grande, aquela que nem parecia ser necessária, mas  agora é tudo o que tem. É que nem sempre a gente sabe do que precisa, só precisa, mas não sabe bem de quê. O sono fora da cama de costume, outras palavras ou, pelo menos, em outras vozes, outra língua, novos rostos, outros sons, cheiros. Perder-se em uma rua, bairro; a tentativa de localizar-se, encontrar-se geograficamente, para quem sabe encontrar-se em sentido mais lato. A bagagem de saída é pesada, para continuar a jornada só o desapego. Larga pelo caminho o que não te serve mais, abandona; presenteie alguém com algo bom, mas que em você já está incorporado, distribua com generosidade, não pergunte o que farão com teu presente, não aconselhe, não espere, só dê. Conserve só o que te orienta, afaga, o que te faz descansar nos dias de muita luta. A viagem é sempre longa, independe da distância, não desista, não sucumba. Nos dias mais difíceis pare, repare cada detalhe da paisagem, isto lhe dará forças para seguir e, só então, vá.

  Na volta a bagagem será muito, muito mais leve, a saudade do que deixou lhe mostrará o quanto tudo o que tens lhe é caro. A cama, as vozes e a língua de costume lhe soarão tão mais belas; os rostos familiares, os sons e o cheiro; o cheiro da casa. As pernas reconhecerão os caminhos, as ruas, o bairro e, então, o encontro: a volta para o que nunca deixou, de fato, só se distanciou para olhá-lo sob nova perspectiva. A mala leve não significará "ausências", mas recomeço. O vazio que deverá ser preenchido por novas conquistas.

  O corredor é mínimo, mas depois do primeiro passo se agigantou. Pego a mala e começo a travessia não ando sozinha, mas a cada pisada só posso contar comigo, os meus passos ninguém poderá fazer. Vou ali e volto já, quem sabe a mesma, quem sabe não. Agora, o único desejo é o da caminhada. Vento no rosto...a vida tanta vezes acerta mais quando nos dá o que precisamos e não o que queremos.





4 comentários:

Carla Machado disse...

O importante é a ida, a companhia, os passeios e a maneira com que se vai voltar... será que seremos as mesmas depois de uma semana?
Beijo e preparemos as malas!!!

Zi Figueiredo disse...

Adorei seu texto! Traduz muito do que sinto, penso e vivo. Especialmente nesse momento. É preciso ir... Perder-se para se encontrar. "Porque há muito mundo no mundo e eu não posso ficar aqui o tempo todo." ;)

Beijos!

Amanda M. disse...

A gripe no meio. Certeiro! ;)

Amanda M. disse...

Que bom que gostou, Zi! É mesmo isso: só ir. Depois vê-se no que dá.