quinta-feira, 24 de maio de 2012

Somos salvos por "quase" nada

  E não há no mundo apoio melhor que o "moral". Mais do que auxílio financeiro, presença física, do que chazinho quente com biscoitinhos frescos, do que flores do campo recém colhidas, calça da marca que você adora, viagem para algum lugar paradisíaco, aula de yoga no final de um dia de trabalho. O estímulo do outro, daquele por quem você tem estima, é uma "mola propulsora" gigante, fenomenal. É ferramenta mais potente do que as catapultas medievais, que atacavam o castelo inimigo. 

  Efetivamente, de maneira científica, não sei bem analisar e enumerar aqui as implicações que simples palavras de apoio, de afeto, de motivação, dirigidas a nós, podem ter nas nossas ações, decisões ou posturas cotidianas. Nem sem, ao menos, para que lado nos impulsiona. Mas a sensação, essa todos nós conhecemos. É bom, mais do que isso, é uma generosa "operação de resgate" da  alma, quando alguém lhe oferece um colo, um ombro, ainda que virtuais. Grandes amigos são capazes desta empreitada, assim como as almas gêmeas,  os amores (dos mais diversos); são eles que aparecem, assim "do nada", quando mais se precisa, quando nem se sabe que precisa, quando não se espera nada mais. Vem atráves de um e-mail criativo, bem humorado; um cartão lindo emocionado; um bilhete pregado na porta do quarto ou sorrateiramente escondido na bolsa; uma surpresa pelo correio; uma mensagem no meio da tarde. Não há necessidade de palavras difíceis, leitura rebuscada ou papel de carta personalizado. Vem mesmo em caligrafia torta, pedaço de papel mal cortado, erro de ortografia. Pode parecer só um "olá", mas tem uma repercussão tão profunda, tão intensa, tão redentora...

  A verdade é que aquele velho clichê do poeta inglês John Donne (1572 - 1631):"Nenhum homem é uma ilha.", me parece cada vez mais evidente. Eu até posso não precisar de ninguém para me manter financeiramente, emocionalmente, profissionalmente, posso ser madura e independente na maior parte do tempo, mas eu vou precisar para sempre, de algum sinal de que alguém no mundo tem muita estima por mim. Não foi só um cartão bobo, um e-mail despretensioso, foi uma "pequena salvação", percebe o quanto isso pode ter mudado meu destino, o meu olhar?  Percebe que você me salvou hoje? Abençoadas sejam as palavras oportunas que nos surpreendem em um dia qualquer, abençoados aqueles que nos lembram que não precisamos ser uma ilha...



O trecho, onde está a frase, é este aqui:
“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. (John Donne)


4 comentários:

Anônimo disse...

quem provocou isso em vc? ass: bel

Anônimo disse...

Ai que perfeito didica!!!! vc é uma amada... saudades gigantes dessa sua sensibilidade aflorada. Te amo. GÊ

Amanda M. disse...

Conto milagre, o Santo a gente mantém em sigilo...

Amanda M. disse...

Saudades de você também, Gê! Tbm te amo!