quarta-feira, 23 de maio de 2012

Que permaneça o que é bom...

  E vocês estão novamente ali, frente a frente. Como outras tantas vezes estiveram e ainda voltarão a estar, porque o destino pode até afastá-los, temporariamente, como invariavelmente faz, mas sempre há a esperança do retorno, a necessidade de não "acabar" a história.

  Mas, agora é uma nova relação e mesmo que vocês prefiram não abordar o assunto, fingir que são os mesmos, um para o outro, não são mais não. Vocês sabem, bem lá no fundo, que são "outros", especialmente, quando compartilham de companhias antigas, situações repetidas, programas cotidianos; as reações são diferentes. A cara pode ser a mesma, as risadas idem, mas os sentimentos são outros. Eu sei bem que são.

  Engraçado como o vínculo ainda permanece, o outro ainda te "prende" a alguma coisa ali; você sabe que deveria ir embora, sem medo, sem arrependimentos, sem lembranças, só seguir. Mas, eis o que te faz ficar ainda tão atrelada à situação: a mémoria. O que passaram, o que fizeram, o que sentiram, o que compartilharam não se apaga, pelo contrário, persegue, te pega pela mão e te mostra: - eis o que te fez tão feliz! E contra as lembranças não há arma eficaz, ela sempre vai ser a vencedora.

  O vidro quebrou, não há cola que emende os milhares de cacos, não há pá que recolha do chão o material partido, não há choro que trará de volta, intacto, o vidro desastradamente tombado. Mas, mesmo que ele não vá nunca mais ser inteiro, a imagem do que foi, está em cada pedaço de vidro. E mesmo que ele não esteja mais lá, como um dia vimos e mesmo que os cacos já tenham sido varridos, a gente sabe que um dia ele existiu. E, isso é o bastante.

  Pessoas mudam, sentimentos se transformam, relações se modificam, mas as lembranças permanecem firmes, enraizadas e profundas; para nos mostrar porque nenhum de nós é descartável, quando deixou algo de si no  outro e carregou algo do outro consigo. E, é bem por isso que nunca vamos embora definitivamente de lugar nenhum e, é também por isso, que fazer as malas não significa nunca mais olhar para trás. Porque para cada passo para frente sempre existirá, pelo menos, um par de olhos fixos, lá atrás...


4 comentários:

Anônimo disse...

Own,que lindo!!!!Um dos meus prediletos,sem duvida...super me identifiquei!!!!!Rafa

Amanda M. disse...

;) Thanks! Que bom que gostou...

Anônimo disse...

Estava mesmo precisando destas explicações!!! rsrsrs adorei.....Cínthia

Amanda M. disse...

Acho que eu também precisava...todo mundo um dia precisa.
Beijo