domingo, 5 de maio de 2013

No lugar onde as coisas se ajeitam

  Porque em algum momento, cedo ou tarde, com ou sem dor, num choro livre ou sufocado, pelas mãos de
alguém ou mesmo solitária a vida chega exatamente onde deveria chegar. A poeira assenta, o mar acalma, a lua muda de fase e as coisas encontram o seu final; frequentemente, o final diverso daquele esperado, mas é o que deveria ser, eu acho. E não é porque eu acredito em astrologia que consulto o horóspoco, não é porque eu acredito em numerologia que eu calculo o número do meu ano, quando sugiro que ela descubra seu número ela pergunta se eu "acredito nessas coisas". Não sei. Sinceramente, faço tanta coisa sem nenhuma racionalidade, tanta gente faz, que acho que, nesse caso, não há mal.

  Leio as previsões do mês como quem brinca de adivinhar o final do livro, peço pequenas pistas de quem já leu, leio a sinopse do jornal e aquele resumo pouco revelador atrás do livro, mas a última página mesmo, só será lida no último dia, depois de ter vivido toda a estória. Leio livros na sequência que o autor estabeleceu, não corrompo a ordem, só subverto os sentidos (e isso acho que qualquer autor gostaria). Faço igual na vida, não pulo etapas, leio página por página, talvez permaneça em algumas por mais tempo do que gostaria, quando a leitura parece difícil, mas sempre chego ao próximo capítulo. Nada me parece tão bom, quanto não conhecer o final, mas procuro pequenos indícios, invento possibilidades e quase nunca acerto, mas as tentativas distraem, divertem e confortam. Otimista incurável, os finais serão bons. Nem sempre felizes, mas bons, grandiosos, mesmo os mais simples. O derradeiro átomo de poeira no chão, como deveria ser. Não é assim?

  O caso é que dá-se muitas voltas, gasta-se sapatos, tempo e nervos para as coisas darem, onde sempre deveriam se dar. Há um momento que é preciso correr, pelo próprio gosto do movimento; é preciso lutar, porque os sonhos parecem transcender as noites de sono; é preciso abrir portas e janelas diferentes, para descobrir outras paisagens (existem muitas outras além dessas a que nos acostumamos. Verdade.); é preciso mudar roupas, cabelo e música, para conhecermos quem de verdade somos e se gostamos. Porque é importante gostar, de si, do que se faz, do jeito que as coisas se deram para você. Porque se não gosta, movimente até gostar. Troca o copo, a taça, a garrafa, a lata, se mesmo assim o gosto não for bom, mude o conteúdo, dará mais trabalho, mas o gosto será recompensador.

  No signo de hoje há coisas boas e outras nem tanto, fico com as boas, tento adivinhar o que virá, sem pretensão de acerto. De certo é que as coisas encontram os seus lugares. O lugar onde as coisas se ajeitam tem um sol de final de tarde, em um domingo barulhento de crianças felizes, tem ironia adolescente, cheiro de comida caseira e um gosto bom de se despedir, ao menos temporariamente da angústia de nunca sabermos,  de fato, qual é o final. Lá, no lugar onde as coisas se ajeitam, tem tempo sempre bom, sorriso leve e coração, só coração, porque racionalidade não combina muito com o caminho natural das coisas.


4 comentários:

Anônimo disse...

Perfeito Mand...seja lá o que os astros dizem,sigamos com com confiança e esperança para o lugar onde as coisas se ajeitam... ;) PS: no meu niver entro no meu inferno astral de novo ou ele vai dar um tempo??? Rsrs!

Amanda M. disse...

Consulta astrológica, é? Nada...segundo fontes confiáveis, já acabou seu inferno astral...agora é curtir o que vem de bom!Beijo

Ana disse...

Amanda meu astral está sempre errado:) eu bem tento mas não dá!
beijos

Amanda M. disse...

"Sempre" é tanto..."quase sempre", pode ser? Creio que o jeito é deixar as coisas seguirem, sem pensar se são boas ou más, comigo, às vezes dá. Outras tantas também não!rs Beijos